sexta-feira, 21 de julho de 2017

coisas de opinar: Até à próxima, Chester, ou os sapatos dos outros.


Não demonizo o suicídio, nem quem se suicida. Aliás, sempre me chocou como os suicidas são ostracizados pelas religiões, por quem clama ter uma linha directa para com o divino e que teriam a obrigação de ser a candeia do amor incondicional.
Obviamente que também não o celebro nem o incentivo, - a vida deveria ser uma benção, uma vitória e um motivo de celebração. Mas, haverá algo pior e mais digno de ser lamentado do que estar cá, estar vivo mas só aparentemente?

Portanto entendo, empatizo e respeito. E sobretudo por isso não teço juízos de valor, mas sinto a necessidade de vir para aqui, (e desculpem a falta de humildade), abordar este tema pouco simpático, porque sinto que é necessário esclarecer que quem parte nunca o faz abruptamente, que não o faz por desamor à vida, mas sobretudo, presumo eu, pela urgência urgentíssima de um novo começo, uma nova vida, uma nova encarnação, na esperança de uma nova oportunidade, da mesma forma como se faz reset ao computador.

Sim, lamentemos todas as partidas. Mas troquemos o julgamento pela compaixão. Diz um ditado que nunca poderemos saber como é a vida de alguém até andarmos nos seus sapatos. Se isto fosse realmente fazível, acho que chegaríamos à conclusão que todos os sapatos são diferentes, e se há quem pareça ter um andar fraquinho, desajeitado, diferente, se calhar é porque a vida lhe serviu sapatos de chumbo.

A todos aqueles que decidiram partir mais cedo, desejo-vos que realmente existam novas oportunidades, e que a vida nunca mais vos dê dores de pernas.

A nós que ficamos, vamos lá construir um mundo onde possamos andar descalços, sim?






terça-feira, 18 de julho de 2017

Sabedoria dos intas em 10 segundos #43


Por cá não mora gente ciumenta. Por cá mora quem não tem pachorra para com gente ciumenta.

Não me canso de dizer que ciúme não é uma qualidade afectiva, mas um nariz ranhoso, uma dor de cabeça, uma obstipação. Ou seja, um sintoma que demonstra que se sofre de um, dois ou dos três seguintes males:
1) Imaturidade emocional;
2) Doença psicológica;
3) Presença de pessoas tóxicas;

Não vale a pena aprofundar as duas primeiras alíneas.
Quanto à terceira, a cura passa por uma dieta. Tão simples quanto isto:
- Se sentem que têm motivos para ter ciúmes porque a pessoa com quem estão não é efectivamente de confiança, então porque estão com alguém em quem não podem confiar?
- Se no vosso círculo social existe aquele/a cromo/a que se esquece do mandamento fulcral que dita que pessoa comprometida passa a ser assexuada, e gosta de mandar charme a torto e a direito, qual barro contra a parede, não acham que já têm idade para saber escolher melhor os/as amigos/as?

O mundo divide-se também na perspectiva que se tem sobre os ciúmes. Há quem diga que é especiaria que apimenta a relação, eu digo que não é mais nem melhor que pimenta no cu.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

cromices #150: Arigato, merci, thank you



Uma pessoa adapta-se a tudo, inclusive a contornar situações que só sucedem a quem vive numa zona considerada turística.
Em passeata nocturna com o Kiko pela zona do centro histórico, (onde as ruas não são ruas, mas vielas estreitas de declive acentuado, forradas numa calçada portuguesa tão luzidia e encerada pelos milhares de pés que a atravessam que são um autêntico escorrega, cuja travessia com cão exige já um nível proficiente de destreza se o objectivo não for derrubar turistas aos magotes, como numa partida de bowling humano), a pessoa vê a alguns metros de distância que a estreita via está intransitável. Bloqueada por um tampão de gente, de dezenas de turistas, que não andam nem deixam andar.

Uma pessoa ainda fica ali parada uns instantes, com a esperança que alguém perceba que tem que se desviar. Mas não, é pedir muito.

Como uma pessoa quer e tem que passar, pois quanto mais tempo na descida encerada aumenta em muito a probabilidade de perder um par de dentes, há que ser despachada. Então quase sem qualquer esforço da minha parte para fazer uma voz sonante, que tenho bons pulmões e devo ter engolido um microfone, solto um "com licença, excuse me, excusez-moi, dá um jeitinho" - assim mesmo, de rajada, enquanto vou furando a multidão.