quinta-feira, 29 de maio de 2014

cromices #16: Estes radialistas são uns gozões





Gosto de ouvir rádio enquanto me arranjo para sair.


Hoje, enquanto espreitava pela janela o dia cinzento, fresco e chuvoso, a "tal voz da rádio" insistia numa campanha, imperdível, nestes dias de Verão, praia e calor.




quarta-feira, 28 de maio de 2014

A panaceia para todos os males





Sentem-se cansados, frustrados com as dores e males do Mundo?

É tomar disto.


Dosagem: Pôr no replay tanto tempo quanto o necessário.


De nada!





A importância de saber justificar





Lembram-se de quando éramos miúdos, na escola, e os professores insistiam para "justificarmos as nossas respostas"? Já pensaram na razão de ser dessa insistência?


Acompanhem-me, por favor, neste exercício:


Imaginem que vos pedem para elaborar qualquer coisa: uma refeição, um projecto, um objecto, uma ideia. A sério, isto aplica-se mesmo a qualquer coisa.
E vocês reflectem sobre como elaborar o que vos foi pedido e fazem-no.
Quando apresentam a vossa "coisa" dizem-vos que não gostam, que não concordam. Mas não se justificam. Não vos apresentam nem as razões que sustentam a sua discordância, e muito menos de como responderiam ao desafio proposto no vosso lugar, que alternativas sugeriam, quais os objectivos e como pensam lá chegar.




Digam lá que não sentiriam que é como estar a falar para uma parede!


Não confundir com a situação que é um debate entre pessoas que têm opiniões formadas, embora totalmente distintas sobre um tema. Como adultos sabemos que existe uma imensa validade em concordar em discordar. Além disso, um diálogo entre pessoas com perspectivas diferentes cria uma oportunidade para todos alargarem os seus horizontes.




Falo da frustração que é ir para uma troca de ideias munida dos amigos "O quê", "Quando", "Como", "Porquê", "Quem" e calhar com quem acha que uma mão cheia de "Nãos" é um Royal Flush.


Recentemente cometi o erro (oh para mim a bater com a cabeça na parede!) de tentar trocar impressões com quem defendia a abstenção nestas últimas eleições.
O discurso era de festa: viva a democracia, fora a partidocracia, está na hora de apresentar novas soluções, os que não foram votar é são os bons e espertos, e por aí fora...


Epá, sim senhor, desejo por um novo paradigma de sociedade, mais evoluído em todo o seu semblante? Também partilho. Afinal, quantos mais cidadãos activos no seu papel, com o intuito de melhorar a nossa sociedade, melhor para todos.

Então quais são mesmo essas "novas soluções", o que têm em mente? - perguntam vários, num misto de curiosidade e esperança que houvesse por ali um projecto, ou no mínimo um esboço, fruto de reflexão e planeamento estratégico, uma visão coerente.

"Mudamos a Constituição. As alterações deverão ser discutidas por todos nós".  Não houve aprofundamento sobre a questão, mesmo a pedido de várias famílias.


Da minha parte, desejo-lhes sorte. Talvez consigam reunir 6 178 640 indivíduos, (nº de eleitores portugueses que se abstiveram), no próximo pic nic com o Tony Carreira, e possam aproveitar para redesenhar a Constituição da República.






Estas situações não são pontuais, e estão longe de ocorrer somente entre nós, "cidadãos comuns", treinadores de bancada da política.


Por volta de 2011, entrava-se numa qualquer livraria, e todos os destaques incidiam em milhentas publicações sobre a crise. Foram tantos os políticos, economistas, sociólogos, antropólogos, etc, que decidiram publicar a sua visão sobre o novo contexto macro-económico que viria assolar a Europa.


Cheguei a ler alguns. Tantas as capas que prometiam no seu interior, não só uma análise aprofundada sobre a crise, as razões do seu aparecimento, mas também uma visão pessoal de como a solucionar.


Ora, tratando-se de profissionais da coisa, uma pessoa pensa que há-de sair de ali uma coisa com cabeça, tronco e membros, tim-tim por tim-tim. Mas não.
A incapacidade para a justicação é transversal. Digamos que somos todos mestres em preliminares, mas muito poucos conseguem levar a coisa até ao fim. Digamos que as trocas de ideias são muito como coitos interrompidos.


Para esta gente apresentar possíveis soluções não é diferente de constatar o óbvio e enumerar exigências:


- Queremos uma sociedade justa; queremos o Serviço Nacional de Saúde a funcionar bem; and so on...


Sim, sim, já sabemos isso tudo e é tudo muito lindo, mas como?! Não dizem. Nunca dizem!






E eu depois de ler algumas destas publicações e ficar irritada, (que apenas sou o que sou, mas que não gosto de ser só garganta, e não estou à espera que façam tudo por mim), meti mãos à obra:


Por exemplo, em relação ao Sistema Nacional de Saúde e os seus imensos problemas financeiros, fui ler um Orçamento de Estado. A observação desses dados permite concluir que grande parte da despesa é para com fornecedores.


Quem são os fornecedores? Laboratórios farmacêuticos. O tipo de empresas que alcançam dividendos astronómicos, que praticam uma política de preços com umas margens de lucro brutais, e moralmente discutíveis, tratando-se da área da saúde.

Uma das medidas possíveis: Promover a existência de laboratórios do Estado que forneçam aos Hospitais o maior número possível de produtos e medicamentos, com uma margem de lucro mínima.

O investimento para tal é menor do que se espera, visto já existir o Laboratório Militar de Produtos Químicos e Farmacêuticos, que poderiam ser uma das infraestruturas utilizadas para este fim.


Tal possibilitaria igualmente fazer chegar medicamentos a um preço muito mais baixo, ou at´gratuitamente, às camadas de utentes mais fragilizadas, como os idosos que auferem pequenas reformas, ou utentes que estejam dependentes de apoio financeiro do Estado para a aquisição de medicamentos.


Acredito que tal fomentaria uma melhor gestão de recursos, diminuiria o buraco financeiro dos hospitais, pouparia dinheiro ao Estado, e facilitaria o acesso ao medicamento e à saúde por parte de toda a população.







sexta-feira, 23 de maio de 2014

caixa de ressonância












Os meus 25 tostões sobre as Europeias





Sabem que dia 25 há eleições?
Também eu gostaria de deixar um apelo: a participação na democracia é um assunto de todos, sem excepção.
Não opinarei sobre em quem deverão votar ou algo parecido, era só o que faltava!
Mas, apelo que não façam de conta que isto não é convosco, que não empurrem o que é simultaneamente o vosso direito e dever para as mãos e costas dos outros, não enterrem a cabeça na areia, só porque é cómodo fingir que não se passa nada.
Responsabilizem-se! Votem no raio que os parta, mas votem, participem! E se optarem por não votar, que seja fruto da reflexão, um acto consciente e deliberado, e não da preguiça e do lava mãos à Pilatos. Abraço





Ontem deixei isto, ipsis verbis, no meu mural do Facebook. Deu-me para isto, e mesmo após uma noite de sono, mantenho tudo o que disse.



cromices #15: Ai, as minhas cruzes





Acho que é fácil conseguir deduzir quem, num grupo de mulheres, não tem filhos.


Claramente é aquela que, passado um par de horas de andar com os petizes ao colo, fica sem pinga de sangue e sente-se capaz de trocar um rim por um par de voltarens.



quinta-feira, 22 de maio de 2014

caixa de ressonância







Evolução


Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
tronco ou ramo na incógnita floresta...
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo...

Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
O, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paúl, glauco pascigo...

Hoje sou homem, e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade...

Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.

Antero de Quental, in "Sonetos"






segunda-feira, 19 de maio de 2014

cromices #14: Nem Freud explica





"... deite-se na marquesa".




Automaticamente ocorre-me algo assim, em a marquesa não é, decididamente, uma peça de mobiliário.












caixa de ressonância







Beatus Ille




Feliz aquele que vive num país adormecido
junto a um lago ou junto ao mar,
sobre um rio quietíssimo,
à beira de um vale
onde não se escuta o troar das revoluções
nem o cântico da cidade.
Feliz de quem planta árvores e colhe frutas,
cultiva tanto a luz quanto a sombra
e não se compraz de si, nem aspira a ser outro,
mas apenas a morrer tranquilamente...

Viver na paz do nada. Como se fosse um morto
que não espera retornar.




Virgilio López Lemus


Quando os homens falam de amor #25












Quando as mulheres falam de sexo #20












sábado, 17 de maio de 2014

Desejos #2





Que todas as localidades de Portugal estivessem unidas através de uma rede de ciclovias / pedovias.


Não seria fantástico poder percorrer todo o território nacional, a pé ou de bicicleta, com toda a segurança e conforto?


O investimento necessário para tal deverá ser colossal, mas acredito que tendo em conta os benefícios, valeria a pena. Só assim por alto, ocorre-me:


- Maior segurança para os peões e os ciclistas, em especial para iniciantes, crianças e idosos.
- Mais pessoas a praticarem exercício físico, (caminhada, corrida, ciclismo, etc). Menos sedentarismo, mais actividade, logo uma população mais saudável.
- Mais tempo passado ao ar livre, em família, entre amigos, etc.
- Menos viaturas a circularem: mais economia, menos poluição, menos trânsito.
- Mais pessoas a utilizarem a bicicleta como meio de transporte.




Concordam comigo? Lembram-se de mais possíveis benefícios?













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coisas úteis: Sabem o que fazer quando a porta da máquina de lavar roupa não abre?








No outro dia, aconteceu aquilo que temia desde a primeira vez que vi o Exterminador Implacável.


A máquina de lavar roupa revelou-se finalmente. Tomou refém uma carga inteirinha de roupa, e não as quis devolver.


Ainda tentei usar o truque "whiskas saquetas" abanando à sua frente uma caixa de pastilhas anti-calcário, mas a bicha mantinha-se resoluta, e nada de permitir que lhe abrissem a porta.


Patetices à parte, a solução para estes casos é tremendamente simples.


Tivemos o bom senso de pesquisar um pouco na internet antes de tomar qualquer outro passo. Demos com este vídeo, e resultou.











Imaginem lá ter pagar umas dezenas de euros pela visita de um técnico, para com um arame e em dois minutos fazer isto!



sexta-feira, 16 de maio de 2014

caixa de ressonância



El Vuelo


El alto vuelo sigo
con mis manos:
honor del cielo, el pájaro
atraviesa
la transparencia, sin manchar el día.

Cruza el oeste palpitando y sube
por cada grada hasta el desnudo azul
todo el cielo es su torre
y limpia el mundo con su movimiento.

Aunque el ave violenta
busque sangre en la rosa del espacio
aquí está su estructura:
flecha y flor es el pájaro en su vuelo
y en la luz se reúnen
sus alas con el aire y la pureza.

¡Oh plumas destinadas
no al árbol, ni a la hierba, ni al
combate,
ni a la atroz superficie,
ni al taller sudoroso,
sino a la dirección y a la conquista
de un fruto transparente!

El baile de la altura
con los trajes nevados
de la gaviota, del petrel, celebro,
como si yo estuviera
perpetuamente entre los invitados:
tomo parte
en la velocidad y en el reposo,
en la pausa y la prisa de la nieve.

Y lo que vuela en mí se manifiesta
en la ecuación errante de sus alas.

¡Oh viento junto al férreo
vuelo del cóndor negro, por la bruma!
Silbante viento que traspuso el héroe
y su degolladora cimitarra:
tú guardas el contacto
del duro vuelo como una armadura
y en el cielo repites su amenaza
hasta que todo vuelve a ser azul.

Vuelo de la saeta
que es la misión de cada golondrina,
vuelo del ruiseñor con su sonata
y de la cacatúa y su atavío!

Vuelan en un cristal los colibríes
conmoviendo esmeraldas encendidas
y la perdiz sacude
el alma verde
de la menta volando en el rocío.

Yo que aprendía volar, con cada vuelo
de profesores puros
en el bosque, en el mar, en las
quebradas,
de espaldas en la arena
o en los sueños.
me quedé aquí, amarrado
a las raíces,
a la madre magnética, a la tierra,
mintiéndome a mí mismo
y volando
solo dentro de mí,
solo y a oscuras.

Muere la planta y otra vez se entierra,
vuelven los pies del hombre al
territorio,
sólo las alas huyen de la muerte.

El mundo es una esfera de cristal,
el hombre anda perdido si no vuela
no puede comprender la transparencia.

Por eso yo profeso
la claridad que nunca se detuvo
y aprendí de las aves
la sedienta esperanza,
la certidumbre y la verdad del vuelo.

Pablo Neruda







quinta-feira, 15 de maio de 2014

coisas de jogar #3





Para os dias em que não há nada tão como divertido como brincar aos ditadores, na república das bananas, temos: Tropico.


A review:








O trailer:







quarta-feira, 14 de maio de 2014

coisas de jogar #2





Gostei tanto deste: L.A. Noire




A review:







O trailer:








E uma banda sonora brutal:







coisas de jogar #1





Dark Souls 2











caixa de ressonância





Tenho Tanto Sentimento


Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"




terça-feira, 13 de maio de 2014

segunda-feira, 12 de maio de 2014

cromices #13: ruído de vizinhança







Hoje acordei com uns dos meus vizinhos numa saudável sessão de "mid-morning delight", em que cavalgavam a cama em direcção à linha do horizonte, qual cena final de um western.


Creio não ter sido a única a notar, porque a égua da vizinha que habita por cima destes cowboys, decidiu começar a trotar pelo apartamento em saltos altos, (consta que tem havido quezílias entre ambos por causa dos saltos altos). Isto incentivou os seus pequenos póneis, que vendo a mãe égua trotando, decidiram imitar a figura (embora sem saltos altos), mas com muitos relinchos à mistura.




E é nestes momentos que me torno uma pessoa religiosa e, agradeço a Deus pelo rock n'roll.
Procuro o comando da aparelhagem, e carrego no play.


E deixo que Eddie Vedder seja o profeta a levar-me ao céu das manhãs preguiçosas. Abençoado!









caixa de ressonância












sábado, 10 de maio de 2014

Caixa de ressonância





XXXIX - O Mistério das Cousas


O mistério das cousas, onde está ele?
Onde está ele que não aparece
Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?
E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
Sempre que olho para as cousas e penso no que os homens pensam delas,
Rio como um regato que soa fresco numa pedra.


Porque o único sentido oculto das cousas
É elas não terem sentido oculto nenhum,
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as cousas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.


Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos: —
As cousas não têm significação: têm existência.
As cousas são o único sentido oculto das cousas.




Alberto Caeiro

Desejos #1





Depois de almoço bate sempre aquela moleza...


O que eu não dava para estar agora, algures num cenário bucólico pastoril, numa cama de rede balançando, uníssona com as ervas e flores do prado.
Partilhar o meio sono com ciprestes, oliveiras. Despertar com o movimento dos animais, crias a quem a novidade da Primavera não deixa adormecer.











sexta-feira, 2 de maio de 2014

cromices #12: Não sorria, por favor.



À falta de melhor termo, diria que tenho um "tique" sui generis, que é motivo de galhofa cá por casa.




Quando sei que tenho uma objectiva apontada a mim, o meu reflexo, (sublinhe-se reflexo, o que significa de forma automática e involuntária), é abrir um sorriso "pepsodent".




Independentemente do contexto, é inevitável. De tal forma, que conto um dia receber um postal da Via Verde por ser a utente mais fotogénica e sorridente.




Hoje, fui apanhada por uma equipa de reportagem de um canal noticioso. E claro, bastou ver-me em modo close up, que lá estava eu a opinar sobre medidas extraordinárias, decisões governamentais, direitos dos trabalhadores e o diabo a sete, com um sorriso de orelha a orelha.




Vá lá, bastaram dois takes para a coisa ficar aceitável. É que após a primeira tentativa, o repórter de imagem avança com o pedido, se eu podia não sorrir, é que estamos, afinal, a falar do Governo.






Não consigo deixar de pensar como seria caricato, se tivesse optado por Jornalismo ao invés de Publicidade, e seguido o desejo de ser repórter de guerra.