sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

coisas que me irritam #15: Como perder clientes



Somos clientes mais ou menos assíduos, (conforme os apetites!), da Pizza Hut há cerca de década e meia.
Gostamos das pizzas de lá, o que é bom sinal, tendo em conta que, nos meus tempos de estudante universitária cheguei a ter um part-time num dos restaurantes da marca. Vi com os meus olhinhos como era preparada a comida e fiquei bem impressionada. Não deixa é de ser mais uma daquelas empresas que pagam mal e porcamente, mas isso são outros quinhentos.

Adiante.

Ontem, aproveitando que nos tivemos que dirigir ao Retail Park, decidimos jantar na Pizza Hut.
Haviamos estado lá não há muito tempo, e a experiência tinha sido boa. Mesmo com a casa cheia, o serviço havia sido rápido e a comida bem confeccionada. O que se espera.

Pouco passava das sete da tarde, logo fomos os primeiros clientes a entrar, juntamente com outro senhor.
Fizemos o pedido: batatas country para entrada, e duas pizzas clássicas, (que eu adoro, e é uma pena que não façam parte da ementa take away ou de entrega ao domicílio).

As bebidas chegaram à mesa rapidamente, mas a partir desse momento esperámos e esperámos...
Olhámos em volta e o que observámos foi:

- A nossa empregada de mesa a fazer acolhimento de clientes, (durante aquele período de espera chegaram muitas mais pessoas), uma pessoa a fazer o serviço de bar, um empregado de cozinha ao balcão ocupado com o empratamento e embalamento dos pedidos, (aparentemente tudo normal até agora, certo? Mas não ficamos por aqui...), duas empregadas de mesa naquele momento paradas em frente ao balcão, (tanto que foram atender um cliente de take away em coro), mais um ou dois funcionários a não fazer aparentemente mais nada que não observar o tal funcionário em trajes de cozinha, e a nossa comida a esfriar em cima do balcão sem que ninguém a viesse entregar.
Para piorar a situação, não se tratavam somente das entradas. As pizzas também já estavam prontas.

Tive vontade de chamar um dos empregados e perguntar-lhe se aquele era o meu pedido, e se sim, porque é que ninguém o vinha entregar à mesa, em tempo útil, antes que esfriasse.
O marido insistiu que esperássemos para ver até onde é que a coisa ia. O seu ponto de vista é que não somos nós, clientes, que temos que os ensinar a trabalhar correctamente.

Nesta altura já estávamos ambos especados a olhar para o balcão e para toda aquela gente. Por cada minuto que passava a nossa expressão facial embrutecia, mais e mais. Instaurava-se aquela sensação de "bolas, que já nos estragaram o jantar! Que nervos!"

E a espera continuou...
A uma dada altura pareceu-nos ver o funcionário que tratava do empratamento a chamar a atenção do tal rapaz que não fazia nada mais que observá-lo, (devia ser gerente ou algo assim), para o nosso pedido, a dizer-lhe que o fosse servir. O rapaz ignorou-o completamente, virou-lhe costas.
Nós, que nos apercebemos da cena, mais furiosos ficámos.

Quando finalmente nos serviram, como é óbvio a entrada estava morna e as pizzas frias.
Por falta de tempo, mas sobretudo de paciência, optámos por chamar a empregada para pedir que as pizzas fossem reaquecidas.
Houvesse realmente mais tempo e paciência e o que deviamos ter feito, e o que era a minha vontade, era mandar tudo para trás, e exigir que fizessem tudo de novo. Que servissem em primeiro lugar as entradas, e só depois, as pizzas, quentes como se quer. Acho que não é pedir muito.

Enquanto esperávamos pelas pizzas requentadas (tem algum jeito?!) fomos mantendo o olho no balcão.
Incrivelmente, quando estas regressaram da cozinha voltaram a não nos serem servidas imediatamente.  Lá estavam elas, em cima do maldito balcão, com três ou quatro aves raras à volta, e nenhuma com o discernimento de cumprir o seu papel.

Já nos estavamos a passar!
Chegaram à mesa pouco tempo depois em estado aceitável. Se assim não fosse, teríamos pago as bebidas e as entradas e saído naquele momento.

Hoje, o sucedido continuou a moer-me a cabeça, e enviei uma reclamação através do site da Pizza Hut a relatar o sucedido e a afiançar que não voltaremos tão cedo aquele restaurante.

Confesso que é algo que é raro fazermos: reclamar. Mas com o passar dos anos, com o somar de situações, a vergonha, a timidez, a mansidão ou seja lá aquilo que faz de nós tão pacatos, vai-se desvanecendo.
Desta vez não consegui deixar de reclamar, embora vá tentar, no futuro, fazê-lo no imediato ao invés de andar a remoer no assunto. Fi-lo não só pelo facto de ter estado imenso tempo à espera, do erro que é servir as entradas em conjunto com o prato principal, da comida vir fria. Sobretudo fi-lo porque enquanto cliente me senti mal servida e desrespeitada.






segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

caixa de ressonância






Boa viagem.



Todos os dias morrem pessoas. Muitas. Faz parte do ciclo da vida.
No entanto, tenho sempre a sensação que a morte só deixa de ser algo mais ou menos abstracto quando toca a um dos nossos.

Infelizmente, já tive vários casos na família de pessoas que partiram precocemente, por um qualquer problema de saúde.
Neste caso, a repetição nunca serve de preparação.
Habituei-me facilmente ao privilégio de, neste nosso mundo moderno, termos uma esperança média de vida de oitenta ou mais anos. Cada ano subtraido a essa conta eleva o expoente da sensação de defraudamento.

Há dias partiu mais uma das minhas pessoas, de forma precoce e inesperada.

A vida é maravilhosa, mas tem um preço: nunca é isenta de preocupações, agruras, maleitas. É a condição de sermos humanos.

Quando um dos meus parte, de forma reflexa dou por mim a perguntar-lhe se apesar de tudo, a vida lhe valeu a pena, se as alegrias e os momentos bons suplantaram tudo o resto. Embora seja retórica, simultaneamente desejo, com intensidade, sentir que me responde que sim. Que as pétalas foram mais que os espinhos. Que a vida vale e valerá sempre, mas sempre, a pena.

Deixa-me cabisbaixa a partida, mas há sempre uma serenidade que me invade.
Sempre foi a minha forma de lidar com a morte de um dos meus. Recolho-me, tranquila e silenciosa. Mentalmente ouço a minha voz a entoar uma espécie de oração, uma despedida, um exercício de imaginação onde me despeço e lhe desejo uma transição suave e luminosa para aquele outro plano de existência que, há muito tempo e em plena consciência, optei por acreditar.
Lá, onde correm rios de leite e mel, onde não existe entrave algum à felicidade e à plenitude, apenas Amor e Alegria infinitos, é para onde o meu coração envia aqueles que partem.

Boa viagem Tia C. Até um dia.




quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

cromices #71: E o meu fashion guru é...



Com todo o respeito pelos diversos criadores, artistas, artesãos, divas e divos, mas quem conquistou por aqui o epíteto de "meu" fashion guru é, nada mais nada menos, que Einstein.
Sim, esse mesmo, "o" Einstein.

Conquistou-me a história, do icónico físico, sobre como este, com o intuito de poupar tempo e energia após ter feito as contas sobre quanto tempo gastamos, no espaço de uma vida, ao escolher um outfit todos os dias, passou a ter no seu roupeiro cinco conjuntos exactamente iguais.

Lembro-me dele sempre que decido comprar peças de roupa iguais. O que ocorre até com alguma frequência. Lá está, se encontro uma peça confortável e que me agrada, para quê desperdiçar energia e tempo à procura de outra?!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Vida de cão #14: sopa para cães



O Kiko anda na "fase dos dentinhos".
Esta fase da troca dos dentes de leite pela dentição definitiva causa-lhe um óbvio desconforto. Está permanentemente a querer roer tudo, anda um babão, com um feitio especial, sangra das gengivas e embora coma ração nota-se que o apetite pela mesma diminuiu, certamente pela dificuldade que é mastigá-la nesta altura.

Então, ontem, depois de confirmar a lista de vegetais que um cão pode comer, fiz-lhe um creme de legumes com batata, courgette, cenouras e umas folhas de couve coração. Sem sal e apenas com umas gotinhas de azeite.

Quando a sopa esfriou servimos-lhe uma tacinha com um pouco mais de uma concha. Bebeu-a em menos de nada. Adorou.

Há pouco, servi-lhe mais uma dose. O entusiasmo repetiu-se.

Não me preocupa que ele perca o gosto pela ração. Até porque ele não deixou de a comer. Come é menos, e de forma mais morosa. Neste cenário em que há uma óbvia dificuldade por motivos de saúde prefiro garantir-lhe que ele tem, a nível da alimentação, alternativas. Prefiro garantir que ele anda de barriga cheia, bem alimentado.

Quando esta fase passar, volta-se ao normal, com menos mimos.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Vida de cão #13: Só para rectificar...



Lembram-se de vos ter contado que tinhamos ultrapassado, com sucesso, a fase da copofragia?

Pois... Esqueçam lá isso.

Foi um sucesso temporário. O sr. Kiko ainda anda na fase em que pensa que o cócó é um grupo da roda alimentar.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Acho que já chega de Inverno...



Costumo gostar do Inverno. Usualmente gosto de sentir que existem quatro estações, distintas entre si, únicas nas suas características. Sempre pensei que tristes devem ser as zonas do Mundo que vivem numa só estação todo o ano. Que monotonia.

Mas, nem sei precisar porquê, não estou a conseguir apreciar este Inverno. Sinto-me a precisar da chegada da Primavera como de pão para a boca.

Este tempo, em especial os dias de frio intenso, têm sem dúvida afectado negativamente o meu humor.
Dou por mim a franzir o sobrolho por tudo e por nada, num estado de irritação constante. O cansaço tem sido o meu pior inimigo. O estado de espírito tão negro e carregado quanto o céu, a minha capacidade de interacção comigo própria e com o próximo está gelada como a temperatura que se faz sentir na pele, nos ossos.
As rotinas diárias, que consigo normalmente encarar de forma ligeira e prazeirosa, enfastiam-me, fazem-me revirar os olhos, e a sua realização toma mais de mim do que é costume, desgastam-me.

Não estou a gostar deste Inverno. E a pior parte é que, em especial nos últimos dias, encarnei esse mesmo Inverno.

No início deste mês, Fevereiro, celebrou-se o Imbolc, o dia que marca o meio caminho entre o Inverno e a Primavera, que celebra os primeiros sinais de Primavera, o início do ano agrícola, o regresso do Sol e dos dias um pouco mais longos.

Talvez signifique que, ao longo da história da Humanidade, todos nós havemos precisado de incentivo, que nos lembrem que o Inverno terá, eventualmente, o seu término. Que é preciso ter um pouco mais de paciência, reacender a chama interior para que derreta o gelo que se apodera das emoções e da psique, reencontrar o próprio calor. Que assim como Brígida que simbolicamente rejuvenesce, abandonando o estado de anciã para voltar a ser jovem, o mesmo se passará connosco. Bastará perseverar só mais um pouco para sentirmos essa mesma mudança.

Inspiro. Tento através das minhas próprias palavras encontrar ânimo para ultrapassar a notícia que, por aqui mesmo, as temperaturas poderão descer até aos 0º. Sem revirar os olhos, pode ser? - digo a mim própria - Vamos lá tentar chamar a Primavera em espírito, pelo menos!



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

cromices #69: Epístola de santa croma aos condóminos



Durante a maior parte da minha existência acreditei ter uma fé imensa nas pessoas. Com o avançar dos anos ou perdi essa fé ou descobri que nunca a tive realmente.

Que esta a existir de forma inabalável residirá na Razão, na Lógica e na Argumentação e não no ser humano. Porque cada vez mais me convenço que a maioria das pessoas precisa de ser convencida a tomar a acção mais elevada e correcta, que é comportamento somente natural a poucos. Mas, que se procurarmos inspiração na Razão, com um pouco de Empatia e muita Paciência, poderemos encontrar um Argumento válido e transparente que ajude a engrossar as fileiras dessa minoria.

Não faltarão oportunidades a qualquer esquina da existência, na sua vertente mais prosaica, para praticar esta doutrina.

No passado, talvez por ingenuidade, achei aqui mesmo à porta de casa uma oportunidade dessas, no condomínio, pois era necessário que alguém envergasse a pele de pacificador, de negociador, mediador.
Convenci-me que valeria a pena investir o tempo e a energia necessários em busca do tal denominador comum que nos unisse, que buscasse a clareza de pensamento e de discurso para transmitir esse mesmo Argumento, o tal que inspirasse a melhores comportamentos.

As principais situações, mais que comuns por todo o lado, eram o absentismo nas reuniões de condomínio, o não pagamento da mensalidade e o não querer deixar avançar ou contribuir para as obras de manutenção dos espaços comuns, que é de lei.

Concluí que o argumento moral, o "agir de forma correcta" nunca me traria o sucesso pretendido. Poderia ser apresentado como algo secundário, mas nunca como argumento principal. As pessoas sabem perfeitamente quando não agem de forma correcta, e apontar-lhes isso mesmo, mesmo que indirectamente tem o efeito do vinagre e não do mel.

Decidi, através do meu discurso, lembrar-lhes que a presença e a participação nas reuniões, o pagamento da mensalidade a tempo e horas, e a participação nas acções que a assembleia decida levar avante, que tenham em vista a manutenção e a melhoria do espaço, é um dever e não um favor.
Que quem cumpre deve ser reconhecido por tal, mas mais por uma questão de cortesia e respeito do que outra coisa, porque o maior favor está a ser feito a si próprio, que é cuidar do próprio património.
Que quem cuida do próprio património não só está a ter atenção com a sua qualidade de vida, mas a diminuir a desvalorização deste. Coisa útil se no futuro se pretender vender o imóvel. Uma casa bem cuidada vale muito mais no mercado e atrai mais compradores em menos tempo.
Que tal qual acontece connosco, seres humanos, as coisas materiais também padecem de males. Se tratadas com frequência, os pequenos sintomas nunca passarão a grandes doenças, com curas improvavéis e muito mais dispendiosas.

Que o facto de partilharmos o mesmo espaço, de vivermos paredes meias - que tantas vezes parecem de papel - e por isso acabamos por ouvir mais da vida uns dos outros do que teríamos intenção, ou até gostaríamos, é o suficiente para que nos consideremos primos honorários, uma espécie de comunidade ou família. Que no mínimo devemos nas nossas relações semear a cortesia e o respeito, a concórdia e a empatia.
Que um apartamento poderá não ser a nossa casa de sonho, mas que existem vantagens em viver num como ter sempre alguém disponível num caso de aflição ou a partilha de custos e responsabilidades na gestão do espaço.

Que o tempo, a energia e a paciência são bens tão ou mais escassos que o dinheiro. Que dependendo da seriedade e do carácter dos condóminos, do facto de estes serem ou não cumpridores dos seus deveres, ou se pode investir estes quatro bens em manutenção e melhorias, ou tudo se esgota em perseguição aos devedores. Ou um ou outro, não chega para tudo.
Que ser cumpridor é um dever, mas ser incumpridor é ter uma falta de respeito colossal para com todos. É ser um filho da puta. Acima de tudo, é ser dos seres mais estúpidos à face da Terra, pois uma coisa é ser um cabrão para querer lixar o próximo, mas ser um cabrão lorpa e cretino para agir contra os próprios interesses é pertencer a uma liga especial de asnos.

Que quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga. E no dia que a paciência se esgote de vez ao grupo de pessoas cumpridoras, a gestão passa para as mãos de uma empresa. Consequentemente os custos aumentarão, pois até as trocas de lâmpadas serão cobradas regiamente, logo a mensalidade aumentará, deixará de haver a poupança na conta condomínio que sabe tão bem a todos na hora de dividir orçamentos de obras pelas fracções. Em compensação deixará de "haver pão para malucos", e os mau pagadores serão processados em menos de nada.


Funcionou. Fiquei feliz, e prolongou-se a fé que eu pensava ter nas pessoas por mais algum tempo.
Foi temporário - o resultado e a fé.
Foram-se algumas pessoas, entraram outras. É engraçado como mesmo num grupo pequeno há sempre alguém que se ocupe de ser a má rês. Todos nós temos os nossos papéis.
Eu quis ser a pacificadora, sendo também a chata, a que chega para pregar aos peixes e enfastiar com o seu tom dominical. Temos pena. Encontrei um problema e avancei. Não lamento, não tenho é paciência para repetir a dose.
Se outrora tentava ir buscar a Ghandi uma ínfima migalhinha de inspiração, hoje revejo-me, (e cada vez mais), no Zaratustra de Nietzsche, que muito de vez em quando visitava a povoação, mas não se tardava e regressava o quanto antes ao ermitério no topo da montanha, não fosse a estupidez contagiante.

(Já bem me basta a minha, obrigada.)